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Torre faz festa junina em Tracuateua

O município de Tracuateua tem cerca de seis comunidades remanescentes quilombolas com cerca de trezentas e cinquenta famílias. Cada uma destas comunidades centenárias possui nomes que por si só são tradutores de uma história de resistência. Entre estas comunidades estão a da Torre, distante cerca de vinte minutos do núcleo urbano de Tracuateua.



A Torre não tem posto de saúde e quando seus habitantes precisam de cuidados médicos os moradores têm de se deslocar necessariamente de moto, ao preço de R$ 10 reais, já que a condução coletiva só faz o serviço duas vezes por semana, mas nem sempre, porque também falha.
Sobre este assunto o Jornal ‪#‎TRIBUNADOSALGADO‬ dialogou esta tarde com Oscimar Hermínio Ribeiro (foto), 64 anos, presidente da Associação de Remanescentes de Quilombos do Cigano - ARQUIC, comunidade titulada há dois anos e também contemplada com cem casas do Programa Minha Casa, Minha Vida.



Oscimar nos levou até a comunidade quilombola do Torre, na verdade uma ilha com cerca de 32 famílias remanescente de quilombos sob a coordenação do senhor José Marcelino dos Santos (foto), 55 anos. Os líderes disseram que não se cansam de lutar pelas suas comunidades mas que o Poder Público é moroso na respostas aos ofícios em que solicitam estruturas para produzirem psicultura, suinocultura, avicultura e outros tipos de culturas que possam gerar emprego e renda para os remanescentes de quilombos.



Mas, para além das questões políticas, nossos olhos se voltaram para as festividades juninas da comunidade da Torre, que contava com a participação de diversos jovens e crianças, a maioria dos quais alunos da escola Antônio Rosa, cujos professores também estavam ali presentes para prestigiar o encontro, que teve tudo o que poderia ter de direito nesta época do ano, desde arrasta-pé até comidas típicas como vatapá e bolos tradicionais, produtos que eram vendidos com objetivo de arrecadar recursos financeiros para a construção de um novo barracão da comunidade.



Assim sendo, ocorreram apresentações de Miss Mulata Cheirosa Infantil, Xote Bragantino, e apresentação do grupo quilombo arte-capoeira, além da dança da farinhada, criada no próprio município e que leva de forma criativa para a dança os utensílios que são utilizados pela comunidade na Casa de Farinha como o tipiti, a peneira, o paneiro, o abano, a vassoura, e o sarilho.



Era portanto uma festa de caráter pedagógico e educativo e de sentido histórico já que resgatava os valores das culturais tradicionais para a juventude ali presente. A narração do professor José Maria, morador da Torre, que nunca ministrou aula naquela comunidade, mas que hoje é presidente do conselho tutelar de Tracuateua, era de uma dinâmica própria que elucidava para que serviam cada um daqueles utensílios, ao mesmo tempo em que fazia uma relação com os ritmos que eram tocados e dançados pelos jovens, como o xote, o xaxado, a mazurca, o retumbão, e mesmo o funk, o melody, e a salsa.

© TRIBUNA DO SALGADO Fotos: Dri Trindade

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