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Mostrando postagens com o rótulo Crônicas

“Matar bandido que mata polícia é cometer outro crime e não solucionar nenhum dos dois” (Carpinteiro de Poesia)

Compreendo as adversidades e complexidades dos cenários das operações policiais, mas, normalmente, quem mata polícia, trabalha para o crime organizado, dentro do qual, atuam milicianos agregados a prestadores de serviços de segurança em geral, e/ou ex-policiais, e/ou ex-agentes de segurança, que se auto-organizam, e/ou que são "contratados" - para executar estes tipos de crimes pelo qual são financiados e em nome do qual (individualmente),o assassino "cresce" de status, dentro de seu grupo, e no espectro mítico da "bandidagem", fazendo seu nome ser projetado como um matador especial. Atacados, o instinto de vingança e o espírito da corporação militar são logo despertados, gerando-se uma onda de matanças principalmente nas periferias, onde habitam pessoas excluídas de direitos sociais e econômicos, entretanto, matar um assassino (de polícia) como resposta, é um equívoco, na medida em que se elimina uma fonte pela via da qual se poderia chegar aos dema...

#GOLPE “Todos somos Lúcio Flávio Pinto” (Opinião do Carpinteiro de Poesia)

Eu concordo com Lúcio Flávio Pinto e não vejo sentido nesta disciplina sobre o Golpe. Penso que a análise histórica pertinente a este momento brasileiro poderia ser diluída nos programas de disciplinas cujas temáticas dialogassem com a questão histórica ou social. Jamais defendi a inclusão de disciplinas como solução dos problemas curriculares brasileiros, nem mesmo da Arte, que é o meu métier. O Golpe não é disciplina, mas curso livre, uma moda que se espalhou pelo país a partir do sul-sudeste, que sempre determina a pauta nacional, considerando menores as grandes questões amazônidas, as quais jamais priorizam em quaisquer esferas, institucional, política, educacional, audiovisual, etc. Afinal, para estes “pensadores”, o Norte não produz conteúdos. E há quem por estas bandas se aproveite disso. Mas, sobre a desnecessidade desta disciplina, sobre o golpe, portanto, não nego que o assunto seja de interesse acadêmico e intelectual, mas não o romantizo a ponto de colocá-lo no cent...

Porque o lugar da arte nunca será num shopping

Arte é o gosto e desgosto. A cura e a loucura. A doçura e a censura. O fascismo e o comunismo. O cristianismo e o ateísmo. O humano e o animal. Masculina e feminino. O macho escroto e a puta recatada. A fêmea empoderada e a gata lambuzada. O traficante e a polícia. A pocilga e o palácio. A política e a alienação. Tudo, nada. A favor mas contra. ... A propósito da retirada da obra de Gidalti Moura Jr ter sido retirada da exposição de um shopping em Belém, desconheço o assunto, apenas o li em redes sociais, teria sido sob pressão de policiais internautas, não sei da posição oficial do shopping, e do próprio artista, e também da PM. Parece nem ser nada assim tão oficial, mas social, e pessoal. O crescimento das redes organizadas destes tipos de "protestos" virtuais engajados em diversos tipos de causas , algumas vezes nem assim tão nobres, alcança resultados imediatos no mercado. Assim como respeito nos artistas o direito que criem como bem entenderem as suas obras e e...

#IMORTAL "Perspectivas da seccional Bragança da Academia de Letras do Brasil - 2020" (Por Francisco Weyl)

Uma das questões que temos pautado quando dialogamos com o professor Ribamar Oliveira, a quem devemos este tributo de ter sido visionário e disponibilizado a sua ação voluntariosa em instalar em solo bragantino – há cinco anos – esta que hoje é a seccional municipal da Academia de Letras do Brasil, da qual somos a espinha dorsal enquanto acadêmicos, que se reúnem sob este glorioso manto da intelectualidade e mesmo da imortalidade, para resgatar a memória, a história, e a cultura desta terra. Uma Academia diversa esta nossa, que reflete a grandeza de Bragança, a sua pujança, a sua densidade, pelas diferentes pessoas cujas contribuições ao Município são reconhecidas ao ocuparem as cadeiras deste Silogeu, sobre o qual pensamos, e ao qual nos dedicamos, por acreditamos que sonhos são realidades, e que as idealidades tem de ser contrastadas com as realidades, e que as imortalidades tem de ser afirmadas, em vida. 5 anos nos coloca a necessidade de definirmos qual o papel da ALB dentro d...

#ANTICAOS “Nenhum objeto substituirá a poesia” (Por Carpinteiro de Poesia)

As ascensões de governos sociais democráticos não representaram a transformação política da sociedade e nem do Estado que eles, seus partidos, e suas bases de sustentação administram. Escândalos e denúncias se pulverizam nas disputas de espaços mediáticos, mas,  esquecidos, cedem o “lugar” a novos fatos ou factoides, selecionados e priorizados de acordo com os interesses do “mercado”. Com a violência, o pânico, o ódio, e o controle a partir das forças repressivas que se generalizam, pelo estado, pelo crime organizado, pelas milícias, pelos matadores de aluguel, pelos pistoleiros. A sociedade brasileira está sitiada.  E para piorar, pesquisas revelam que o Brasil é o segundo pior país que menos sabe sobre a realidade.  E sente-se no ar a atmosfera da desilusão, e da alienação social, a paralisia e a apatia política predominam a sociedade, manipulada. O golpe parlamentar sustentado pela Mídia e laureado pela constitucionalidade jurídica ilude a ideia de que vivemos num...

#PAPOS “A vitória não é de quem fala é de quem faz” (Por Sérgio Santeiro)

A mídia ameaça A mídia ama a essa Um diz que entende O outro diz que não Artista artífice artesão autor Cada dia é um novo dia Sou mais o escambo que o escambau Sou mais a troca que o capital Capital é o trabalho alheio acumulado pelos burgueses Quem foi que agregou a demanda? Quem é que avitou o super? Quem amortizou o débito? Quem adimpliu a meta? A vitória não é de quem fala é de quem faz Falar tem seu valor tem seu fulgor Pode ser farol ou lanterna A estética não é o bonito É o belo A vida é pura predação Animalesca O animal precede o humano Difícil é conter os instintos Dizem que instintos não é humano E não agimos por instinto? Quando componho eu tento equacionar o mundo Por que se cumpre ordens? Cada um faz do seu jeito O outro vem e põe defeito E ainda que defeito haja Ninguém se meta a dar pitaco No que não é de sua alçada Quem critica o rabo espicha Ainda mais se com razão A razão não é coisa que aos outros se imponha Não importa se é boa ou ...

#CARPINTARIA “Se eu não escrevesse poesia, ela me descreveria” (Francisco Weyl)

Se eu fosse dizer de mim, eu me mentiria e me projetaria nalguma coisa que eu de fato não sou Mas se eu fugir de mim, eu me encontro já aqui a minha frente, porque dentro já estava E se eu me proteger de mim, eu me ataco se eu quiser me autoflagelar, eu faço sexo Quando quero beber, é porque não tenho sede E se como, não estou com fome, entretanto, não tenho gula Posso servir, mas para me agradar e impor, apenas por amor Se eu te amar, um dia, pode ter certeza que isso faz parte do meu jeito de odiar E se algum ódio sair de dentro de minha alma é porque ele não me pertencia, então o vomitei Não me isento de minhas palavras mas as acuso pelo que não sou De minha palavras, tão verdadeiras eu quero distancia, porque elas mentem E de todas as minhas mentiras, as mais sinceras, foram aquelas que eu de fato menti E as minhas verdades eram apenas brincadeiras, mas eu as levo a sério E não consigo levar nada adiante porque isso não depende de mim O ...

#CARPINTARIA “O Cinema e a antropologia dos i-marginários amazônidas” (Por Francisco Weyl)

Porque, um texto, é como a ponta de um iceberg, a maior parte do gelo fica dentro da gente, essas viagens, conhecer estes lugares, vivenciar, ainda que muito rapidamente, estas realidades, e pessoas, tudo isso nos toca imensamente, nesse momento, se eu pudesse dizer que o eu sinto, mas que mesmo sem conseguir eu insisto em (d)escrever, sinto-me como uma bomba de sentimentos múltiplos, a explodir, em estado de criação, entre o animal, e o cosmológico, jamais humano... “Sob as distâncias amazônidas” (Para Tião Viana, João Alberto Capeberibe e José Varela) Muitas pessoas até percorreriam tranquilamente as cidades de Rio Branco e Epitaciolância (Acre), Santarém (Suruacá), Altamira, Rondon do Pará, Abel Figueiredo, Marabá, Ilha das Cinzas – em Gurupá (Pará), Macapá (Amapá), e Anori (Amazonas), entretanto, muito poucos atravessariam diversos municípios amazônidas, com o objetivo de produzir/ realizar um documentário, revezando-se nos papéis de motorista, assistente de...

#I-MARGEM “Poema sob as distâncias Amazônidas” (Por Carpinteiro de Poesia)

Quantas são as distâncias? E as estradas? Que separam estes povos? Quantos quilômetros temos de percorrer Por entre rios, Florestas? Para que todas estas culturas Renasçam em nosso sangue. E estes olhos de meninas E meninos? O que nos indagam? E por que as respostas Silenciam em nossas bocas? Acre, Xapuri, Capixaba, Assis Brasil, Até o Peru, pela Via do Pacífico. Estas redes, para nós, tem um significado: A união panamazônica De nossa grande mãe. Há sim a diversidade Quando nos é adversa. Tudo tão perto mas sempre longe Numa diáspora de irmãos Em paisagens. Estamos sempre a caminho De um para outro lugar. Nas redes organizamos um Novo modus social E assim nos permitimos a pensar Nossas práticas. Ao refletir sobre elas Nós as solidificamos. Mas ao mesmo tempo as fragilizamos Pois que são voláteis, Jamais permanentes. Tudo mudo o mundo. E queremos sim mudar O estado das coisas. A começar por nós próprios, Pelo ...