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#CARPINTARIA “Se eu não escrevesse poesia, ela me descreveria” (Francisco Weyl)


Se eu fosse dizer de mim, eu me mentiria
e me projetaria nalguma coisa que eu de fato não sou
Mas se eu fugir de mim, eu me encontro
já aqui a minha frente, porque dentro já estava
E se eu me proteger de mim, eu me ataco
se eu quiser me autoflagelar, eu faço sexo
Quando quero beber, é porque não tenho sede
E se como, não estou com fome, entretanto, não tenho gula
Posso servir, mas para me agradar
e impor, apenas por amor
Se eu te amar, um dia, pode ter certeza
que isso faz parte do meu jeito de odiar
E se algum ódio sair de dentro de minha alma
é porque ele não me pertencia, então o vomitei
Não me isento de minhas palavras mas as acuso pelo que não sou
De minha palavras, tão verdadeiras
eu quero distancia, porque elas mentem
E de todas as minhas mentiras, as mais sinceras,
foram aquelas que eu de fato menti
E as minhas verdades eram apenas brincadeiras, mas eu as levo a sério
E não consigo levar nada adiante porque isso não depende de mim
O que depende de mim, não vai a lugar nenhum
Fica estagnado como lodo e flui em direção ao mar
Sou feito de tantos duplos, que eles se triplificam
Sou feito de números, que, somados, dão em nada
Sou feito de universos, cujas histórias se perderam em memórias,
agora somente evocadas pelas frestas das poesias
Se eu não tivesse nascido, alguma história haveriam de escrever sobre mim
e como não a escreveram, cá estou eu para as narrar
só que eu mais invento do que as vivo
e o que eu não conto, eu desconto na poesia
Se eu não escrevesse poesia, ela me descreveria

Texto © Carpinteiro de Poesia


                                                            Foto © DRI TRINDADE

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