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#‎AMAZONASDOURO‬ > Um Cineclube com doze anos de História >

O fabuloso poder da imagem em movimento marca presença na cena audiovisual paraense desde os primórdios do cinema, aind ano começo do século, e chega a ter uma espécie de apogeu na década de 1960, seja como forma de estudo estético, seja como forma de resistência política. Há que ressaltar, nesse processo histórico, a destacada atuação de Acyr Castro, Pedro Veriano, Antônio Munhoz, Luzia Álvares, Alexandrino Moreira, entre outros que mantém vivo o debate em torno de temas abordados em filmes e sobre a própria linguagem cinematográfica.
Nos últimos anos do final do século passado, entretanto, estas iniciativas se tornaram reduzidas e praticamente cederam lugar ao cinema comercial, sem alcançar visibilidade social, entretanto, na última década, a que dá início ao século XXI, estas atividades retornam ao seio da sociedade em forma de militância pela democratização do acesso aos conteúdos audiovisuais e pelo direito a produção e exibição de filmes nacionais, regionais e estaduais.


No Pará, este fenômeno toma força em 2003, com a fundação do Cineclube Amazonas Douro (durante o Concílio Artístico Luso-Brasileiro), e se consolida a partir de 2005, com o surgimento de novas ações praticadas por diversas redes de jovens produtores culturais, entre as quais: a 'REDE [Aparelho]-:', a Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema - APJCC,; e o Cineclube Nangetu, que desenvolve atividades para as diversas comunidades de terreiros.
Estas redes estabeleceram relações democráticas e solidárias entre si, combinando parcerias em diversas ações desenvolvidas, entre as quais o Projeto Cinema de Rua (do qual temos a honra de ser protagonista) e que articula várias iniciativas que exibem filmes nas ruas e periferias da cidade de Belém e em diversos municípios paraenses, com fortes reverberações em práticas levadas avante em Santarém (ONG Puraquê e Saúde Alegria) e Marabá (Galpão das Artes). 
Tais ações se fortaleceram com o desenvolvimento de programas nacionais/regionais pelo Ministério da Cultura, como os Pontos de Cultura, estimulados a desenvolver práticas cineclubistas, e mais recentemente o Programa Cine + Cultura, que estimulou, entre os anos de 2009 e 2010, cerca de 50 iniciativas cineclubistas em várias cidades e microrregiões paraenses. 


A culminância deste encontro de ações da sociedade civil e governamentais possibilitou a realização de eventos preparatórios para a I Jornada Paraense de Cineclubes, entre as quais podemos citar:
1. “Circuito em construção – seminários estaduais para a autosustentabilidade cineclubista” (2009/2010);
2. Teias (Amazônica e Brasil, em 2010); 
3. I e II “Diá-logos cineclubistas”, realizados por iniciativa de vários cineclubes, projetos e organizações (2009 e 2010);
4. Projeto INOVACINE – parceira entre FAPESPA, Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Pará, e a APJCC, Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema, que, em um ano de atividades, ajudou na consolidação da cultura cineclubista a partir de uma perspectiva democrática e um olhar crítico sobre o cinema (notadamente o brasileiro e paraense), com a realização de 74 sessões, nas quais foram projetados e discutidos 88 filmes, sendo 38 paraenses, 28 nacionais e 22 estrangeiros, obras estas que compuseram 8 mostras temáticas cinematográficas, levando videoconferências e oficinas em 10 municípios do Estado (Belém, Soure, Breves, Portel, Bragança, Santarém, Marabá, Altamira, Igarapé-Açú e Tracuateua), além de criar 5 cineclubes e formar mais de 100 cineclubistas, que, com força de vontade e habilidade, mudaram o cenário da cultura audiovisual paraense, colocando o Estado como a segunda maior força do setor; e:
5. A Fundação da PARACINE – Federação Paraense de Cineclubes, em julho de 2011.



A partir de então, a PARACINE passou a convocar grupos não formalizados, instituições que desenvolvam exibições assim como entidades contempladas por editais públicos que trabalhem com a atividade cineclubista, para, coletivamente, deslanchar um conjunto de ações para fortalecer o cineclubismo no estado do Pará, através da reunião de todos os cineclubes.
A criação da PARACINE tanto estimulou o surgimento quanto dialogou e consolidou um conjunto de ações que foram fundamentais para o movimento cineclubista e de ações de cinema de rua no Estado do Pará, algumas das quais já aqui citadas, razão pela qual, considerando-se este caleidoscópio histórico, analisamos como pertinente o desenvolvimento deste projeto no município de Bragança, que ainda carece de reais vivências e experiências deste tipo de cinema.



Nesse sentido, o CINECLUBE AMAZONAS DOURO se propõe a ser mais uma ferramenta de consciência e de inclusão social, formação profissional e artística e geração de renda, focadas fundamentalmente na juventude, em estado de vulnerabilidade, utilizando a cultura audiovisual contemporânea como base de diálogo e criação e de realização de oficinas, rodas de conversas e sessões cinematográficas e cineclubistas, tratando-se, portanto, de eventos abertos a todos os artistas, estudantes, produtores, professores, pesquisadores, servidores públicos, trabalhadores e público em geral, dentro de um contexto de produção cultural e na construção coletiva de uma proposta de mobilização social
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TEXTO © FRANCISCO WEYL
Editor e Diretor da ‪#‎TRIBUNADOSALGADO‬
Coordenador do Cineclube Amazonas Douro
Coordenador do FICCA – Festival Internacional de Cinema do Caeté
(FOTOS DE CENAS DO CCAD)

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