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#‎AMBIENTE‬ > Iguanas invadem o Município de Bragança

A comunidade do entorno da Praça Antônio Pereira em Bragança, município há 200 km da capital Belém, Pará, anda incomodada com a invasão de lagartos que chegam até a 1 metro e meio de tamanho. Em nota oficial, o secretário de meio ambiente do Município, Luís Eustórgio disse que já foi detectada preliminarmente uma superpopulação que está pressionando drasticamente a renovação de diversas árvores na Praça Antônio Pereira, visto que os iguanas adultos se alimentam de brotos vegetais, preferencialmente os oitizeiros.
“Estamos planejando a retirada de parte dessa população de iguanas, que serão encaminhadas para uma área mais adequada, dentro do perímetro urbano do Município”, explicou o titular da Semma.
Também conhecida como Praça do Coreto, apesar de pequena, a Praça Antônio Pereira é uma espécie de floresta com 62 tipos de vegetais, entre os quais, carnaúba, fícus, ipê-rosa, ipê-amarelo, açaí, oiti, castanhola, pau-brasil, flamboyant, tento vermelho, palmeira fênix, abricó de macaco. Recentemente, inclusive, esta praça sofreu uma intervenção com plantio, podas, trocas e remoções espécies, além da manutenção elétrica e troca de lâmpadas.
A nota ressalta a necessidade de que a Semma seja comunicada previamente por qualquer intenção de plantio da parte dos moradores, que devem ter acompanhamento técnico especializado, para adequar a escolha e o próprio espaçamento das espécies, mediante leis específicas que regulam tais intervenções.


DIAGNÓSTICO - O documento também informa sobre o Primeiro estudo técnico e diagnóstico de arborização das praças e logradouros públicos de Bragança, conforme Lei Municipal 4035/09 e habilitação 04/2012 (SEMA-Pa), que tratam da gestão ambiental na jurisdição e zoneamento municipal. A Semma já analisou 350 espécies de árvores nas diversas praças e logradouros municipais. O estudo, que subsidia o Plano Municipal de Arborização e Paisagismo, revela que diversos populares e técnicos de gestões passadas plantaram sem nenhum tipo de orientação uma miscelânea de espécies vegetais arbóreos.
INVASÃO - O Diretor de Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Rosivan Pereira da Silva, esclarece que os iguanas são animais facilmente adaptáveis aos núcleos urbanos, mas que precisam de escombros, construções e casas velhas abandonadas e mesmo forros para depositar os seus ovos. E tem sido comuns por isso mesmo as constantes travessias destes animais pelas ruas do entorno da Praça. Moradores disseram que os iguanas se reproduzem num terreno antigo, pertencente a SEBRAE, e também no próprio Palácio Augusto Correa, que já serviu de prédio para sediar a Prefeitura, mas que se encontra abandonado. Certa vez, o Corpo de Bombeiros foi chamado para retirar uma família de iguanas do prédio da secretaria de cultura, desportos e turismo, Seculd.
Camaleão (na Amazônia), sinimbu (no Pantanal), o Iguana é um tipo de animal que vive sob as árvores, alimentando-se de mosquitos e ovos, quando menores, tornando-se herbívoros depois de adultos. Rosivan diz que os iguanas gostam de árvores, entretanto, com as migrações e as desordenadas ocupações humanas, ocorreram mudanças nos cenários dos municípios, com a derrubada das florestas, consequentemente, os iguanas se aproximando ainda mais das praças, aonde ainda restam espécies de árvores essenciais à sobrevivência desta espécie e do próprio ecossistema do qual ela participa.
IGUANAS - Aproximadamente 248 espécies de lagartos pertencentes a 14 famílias compõem a fauna brasileira, sendo os calangos e as lagartixas-da-parede as mais conhecidas no país. Da classe dos répteis, da ordem dos escamados, da família dos iguanídeos, o género/espécie Iguana é encontrado facilmente nas zonas tropicais das Américas.
Iguana é um termo que se aplica a pelo menos 65 gêneros, estes subdivididos em mais de 700 espécies de lagartos, de diferentes colorações, hábitos e tamanhos, podendo variar numa fase adulta entre 40 cm até 180 cm, com a cauda chegando até dois terços do comprimento do corpo do animal. Além dos hábeis hábitos arbóreos, os iguanas são excelentes nadadores, graças às ondulações da cauda.
De natureza mutante, são bem verdinhos quando novos, mas apresentam listras escuras, quando adultos, o que lhes permite ficar mimetizados à copa das árvores, disfarçados e quietinhos, a espera de filhotes de pássaros mais desatentos, presas fáceis diante de seus rápidos movimentos. Mas, os iguanas, preferem folhas, frutos, brotos e flores, a insetos, aranhas, pequenas aves, ovos, pequenos roedores e lesmas.
E o ciclo da alimentação destes animais, quando adultos, pressupõe a ingestão de micróbios e bactérias para uma boa digestão, mediante a produção de vermes nematoides e protozoários. Mas os mais novos precisam comer os excrementos da mãe para melhor degustar seus alimentos.
Na lei da selva, é matar ou morrer. Dóceis, os iguanas, que não são venenosos e nem peçonhentos, têm sido capturados mundo a fora, já que a sua carne é considerada exótica, sendo teiú ou teju-açu (Salvator merianae) a espécie mais procurada para alimentar alguns povos na Amazônia. Mas há relatos, entretanto sobre a resistência deste animal á capturas, com consequentes mordidas e golpes de cauda ao caçador. Em média, um iguana vive entre 10 a 13 anos.

FONTE © ‪#‎TRIBUNADOSALGADO‬
(Texto: Francisco Weyl / Foto: Dri Trindade)

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