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#RONALD “O coração de um poeta pulsa mesmo depois de sua morte”

Ronald Junqueiro Fernandes Vieira, faleceu no sábado, 2 de Fevereiro, em Belém do Pará, onde nasceu, a 24 de Setembro de 1952.
Ele estava internado no Hospital Amazônia, onde se submeteu a uma cirurgia, em decorrência de problema cardíacos.
Velado na Funerária Max Domini, seu corpo foi cremado na tarde deste domingo, 3 de fevereiro.
Escritor, compositor, poeta, fotógrafo, e jornalista, Ronald trabalhou anos, como Diretor de jornalismo na empresa O Liberal e no Sebrae, tendo se tornado referência para o jornalismo na Amazônia.
Foi parceiro de Vital Lima (entre outras canções, “Sobreviventes”, e “Estado de espírito”, esta, canção do CD “Berlinda - Asas para o fim do mundo”, da trilha sonora que acompanha o romance de mesmo nome).
Além de “Berlinda – Asas para o fim do mundo” (publicado pela Pakatatu, Belém, 2013), escreveu o ainda não-publicado “Se Tokyo”.
O inédito “Se Tokyo” nasceu a partir da desagradável experiência de ter sido atropelado e estado internado meses num hospital sem saber o idioma japonês, o que, entretanto, não o impediu de se comunicar e de se tornar amigo da equipe médica.
No romance de estreia ( “Berlinda – asas para o fim do mundo”, que resultou de Bolsa de Criação Literária com a qual foi contemplado, em 2010, pela Fundação Nacional de Arte – Funarte, do Ministério da Cultura) o autor tem como referência o muro de Berlim, cidade onde foi criada a carruagem (berlinda) na qual os paraenses transportam a sua padroeira, N.Sra. Nazaré.
Ronald era de um ser de refinadíssima inteligência e de um caráter absolutamente afetuoso.
Num de seus poemas, Ronald escreveu que “um coração teimoso reconstruirá escombros”.
E agora esses versos inundam a minha alma, com a mesma velocidade que uma massa de músculos como o coração bomba mais de sete mil litros de sangue por dia, e numa mesma direção, dentro de um perfeito sincronismo, com válvulas reguladoras que o impedem de explodir, como uma barragem que jamais se rompe.
Mas, Ronald era cardiopata, e o seu sagrado coração de poeta preferiu não ser mais escravo do trabalho ao qual estava destinado desde quando ele nasceu.
Seu coração tinha outras cavidades, além de ventrículos e aurículas.
Mais que músculos, pulsava generosidade.
E dava vazão à paixão.
O coração de um poeta pulsa mesmo depois de sua morte.
Sua ausência é saudade infinita aos seus amigos e familiares.
Que os Deuses elevem sua alma e aplaquem a dor daqueles que choram a sua morte.

FW




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