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#OPINIÃO "Ou Bragança aprende agora ou não vai aprender nunca” (Por Francisco Weyl)

A velha máxima segundo a qual o que não mata, fortalece, prevalece mais atual do que nunca na sociedade bragantina, onde os professores da rede pública foram duramente golpeados por uma medida autoritária de uma gestão  que, por não ter propostas políticas reais, não faz o menor esforço para dialogar com os trabalhadores e a própria sociedade, e que, entretanto, segue dispensando licitações, e fazendo contratos e contratações, de forma nada transparente.
Mas admitamos que esta não é a primeira vez que os trabalhadores públicos vivem uma situação dramática por causa de decisões precipitadas como esta que cortou em cerca de 30% os vencimentos dos professores, que vivem numa dramática situação, que já afeta na redução de vendas do comércio do Município, e que afeta também a Economia, que aliás está paralisada nos demais setores, em consequência da fragilidade financeira de um pobre Município com alta vulnerabilidade socioeconômica, que o setor terciário e o repasse de recursos de fundos federais como a  sua principal fonte de renda.
Já não se pode mais esconder a miséria de uma bela cidade tão rica em cultura e em belezas naturais que não representam rigorosamente nada para as pessoas necessitadas e que estão passando fome, pedindo comida nas ruas, desempregadas, desesperadas, e – parafraseando o poeta Cazuza - sobrevivendo da caridade de quem lhes detesta, sendo usados por inescrupulosos, seja nas igrejas, seja na política, exatamente por causa da falta de políticas públicas mais eficientes e mais eficazes, que garanta educação, saúde, e assistência social e psicológica.
E se a dança das cadeiras nas estruturas de Poder não tem significado mudanças reais na vida das pessoas mais simples, excluídas dos acessos às ações e politicas públicas, é porque os processos e a as relações até aqui estabelecidos precisam ser revisados e/ou reinventados para que novos atores surjam e se tornem lideranças da cena política, longe dos vícios até então observados e denunciados, mas sempre repetidos, razão pela qual pensamos na urgência da sociedade se mobilizar para construir um Fórum Bragança Livre, livre dos interesses individuais, livre dos partidos políticos, e livre do sistema de agiotagem que financia a política.
Ou damos agora este pequeno passo adiante ou teremos de retroceder, voltar atrás e aceitar as regras deste manipulado jogo de cartas marcadas, conscientes de que nessas ocasiões sempre aparecem os salvadores da pátria para mais uma vez tirar proveito próprio, investindo no esquecimento e na alienação do cidadão comum, também ele, um ser equivocado, que repete erros ao acreditar nas promessas eleitorais e religiosas de pseudo líderes que fazem apologia ao ódio e à violência, ao  racismo, ao preconceito, e a homofobia.


Francisco Weyl


Arte: Mário Célio Brito

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